30 março 2013

Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver





Boa noite pessoal!

Para o post de hoje eu optei por falar de um livro que me chocou e há muito tempo aparece na minha lista de livros para resenhar.

“Precisamos falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver é um livro extremamente denso, cuja leitura é tão pesada que você chega a se sentir sufocado pela narração dos fatos. Admito que não é fácil termina-lo, já que eu mesma demorei três meses para lê-lo.

O foco na narrativa é a história do Kevin, um menino psicopata que trama e executa a morte de dois familiares e alguns colegas da escola em que estuda. Filho de Eva e Franklin, ele sempre comportou-se de maneira a agradar ao pai e provocar a mãe ao extremo.

Desde muito pequeno ele ardilosamente provocava a mãe com atitudes relativamente pequenas como chorar incessantemente ou continuar fazendo suas necessidades na roupa, apesar de já saber usar o banheiro. O grande ponto entre o relacionamento dele com os pais é como ele sabia exatamente o que fazer para implantar a discórdia dentro da própria família.

É importante colocar que embora Eva não quisesse ser mãe na época que engravidou de Kevin e acabou tendo uma boa resistência quando do nascimento dele, com o tempo ela acaba cedendo e tratando-o da melhor forma possível, embora ainda seja possível detectar o distanciamento dela enquanto mãe.

Já com Franklin, o pai, predomina o exato oposto, já que como em um teatro, Kevin parece interpretar o papel de “filho perfeito”, amoroso, companheiro, educado e agradável o tempo todo. É claro que diante desse comportamento, o pai vai preferir interceder a favor do filho, uma vez que as “evidências” acabam, muitas vezes, apontando a favor dele.

Conforme Kevin cresce, suas características se acentuam, e tal qual um psicopata, fica evidente em muitas situações a incapacidade dele de sentir ou se colocar no lugar do outro. Embora não seja um indivíduo sociável, ele consegue manter uma certa relação, que não chega a ser de amizade, com Lenny, já que para Kevin é conveniente ter alguém para fazer o que ele precisa e participar de suas ações; enquanto que para Lenny ele exerce uma grande influência e “fascínio”, talvez pela segurança como age ou pela simples transgressão de seus atos.

É claro que as coisas pioram quando nasce sua irmã Celia, e toda a atenção se direciona a ela. Embora seja de se pensar que a mãe também não vai aceitar bem essa outra gravidez, fica claro o quanto ela queria e se sentia preparada para esse novo bebê, colocando Celia no posto de filha preferida.

Ao contrário de Kevin, a pequena Celia é a delicadeza e sensibilidade em pessoa, e vive pairando em torno do irmão desejando atenção e carinho. É claro que em retorno ela recebe alguns xingamentos, piadinhas e outras “brincadeiras” que poderiam passar de inocentes, caso não viessem acompanhadas de algumas “ocorrências” como a morte do hamster de estimação dela ou do “acidente” com o produto químico que a cegou de um olho.

Você pode pensar que isso já é suficiente para uma pessoa só, mas o ponto principal é o que está por vir. Embora ele tenha dado pistas da pessoa que é, até seu aniversário de dezesseis anos, só a mãe enxergava-o de fato.

Desde pequeno, quando ganhou o primeiro arco e flecha de brinquedo, Kevin vinha se aperfeiçoando na “arte” que mais tarde se tornou sua arma. Aos dezesseis anos ele matou o pai e a irmã no quintal de casa, além de mais nove alunos e uma professora no ginásio de esportes meticulosamente trancado da escola. Inspirado pelo massacre de Columbine, Kevin Khatchadourian matou todos com flechas disparadas por sua balestra, foi preso e levou Eva a perder tudo o que tinha depois da própria família, marginalizada pela sociedade por ser a mãe de um monstro.

O primeiro impulso é culpar a mãe, mas aí fica uma questão: será que o filho se tornou um psicopata pela forma como a mãe o tratava, ou será que ela não conseguiu se aproximar por conta das atitudes que ele apresentava desde muito pequeno?

Embora seja muito chocante, a apresentação da história pela autora é primorosa. Escrita de uma maneira que somente nos leva a descobrir o que realmente aconteceu no fim, ela vem desde o começo formando as bases da personalidade não só do Kevin como também dos pais dele que, de certa forma, contribuiram muito para o desfecho da história.

Se eu for comparar o livro com o filme eu digo que ambos passam a mesma coisa, a única diferença é que cortaram algumas coisas do filme que contribuiriam não para formar uma ideia do personagem Kevin, mas apenas para certificar de que ele é exatamente o que já tinha mostrado ser. É claro que, ao contrário do livro, o filme é cheio de flashbacks, que não prejudicam a narrativa, apenas diferencia a apresentação da história.

É claro que eu recomendo a leitura do livro, já que apesar do tema polêmico e inquietante, é bom para nos tirar do lugar-comum e mostrar realidades que até pouco tempo não eram muito bem as nossas (já que há algum tempo houve o Massacre do Realengo, onde um homem entrou armado na escola e matou onze crianças, além de ferir mais treze).

Além disso eu recomendo também assistir ao filme, se não for pela história, que seja pelo menos pelo show de interpretação de Tilda Swinton como Eva e do jovem Ezra Muller como Kevin.

Até o próximo post!

6 comentários:

  1. Mari a resenha ficou ótima! Eu só vi o filme, mas estou com o e-book aqui para ler... só falta tempo, rs. Achei o filme muito forte e deprimente, mas mesmo assim acho que vale a pena assisti-lo. O ator que fez o papel de Kevin foi perfeito na interpretação, me fazendo em alguns momentos sentir raiva da frieza e da crueldade dele.
    Bjos!

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    1. Obrigada Jo!
      O ator que fez o Kevin foi muito perfeito! Ele realmente incorporou o personagem!
      A história é bem pesada mesmo, mas muuuito interessante!

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  2. Ainda não tive coragem de ler esse livro. Ele sempre me deixa assustada pela temática tão séria dele.

    Bjs!
    Lívia Martins ♥
    http://www.leiturinhas.com
    @vanillaprozac

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    1. Oi Lívia!
      O tema é sério mesmo, mas não vejo uma forma melhor que falar sobre algo assim, já que a autora conseguiu passar ao leitor todo um contexto que em outro tipo de livro ficaria muito "teoria"...

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  3. Eu vi o filme e fiquei chocada, achei a história muito boa, claro que o livro deve ser bem melhor, mas eu adorei o filme, acho que, pelo que você disse, foi bem adaptado, né? Eu to louca pra ler esse livro, mas tenho muito medo de interromper a leitura por que o livro não é fácil com esse tema né? Enfim. Adorei a resenha :D

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  4. Adorei sua resenha, gosto bastante de leituras fortes, e esse livro está na lista. No entanto não é um filme que eu assistirei, assisti Sem medo de morrer com a Evan Rachel wood e é sobre o mesmo tema, então me chocou um pouco.
    Dica anotada. Beijos e boas leituras!

    http://livrosobaluzdalua.blogspot.com.br

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