21 outubro 2012

A Trama do Casamento – Jeffrey Eugenides





Espero que vocês tenham gostado do primeiro post!
Para hoje eu vou escrever sobre um livro que acabei de ler e achei simplesmente fantástico.
 
Há alguns anos um professor que tive na faculdade disse em aula que o que torna uma história boa e crível é a capacidade do escritor de fundir elementos reais à ficção, dando ao leitor a impressão de uma realidade bastante plausível. Pois é embasada nisso que digo, categoricamente, que “A Trama do Casamento” de Jeffrey Eugenides é um romance incrivelmente real.
Para situá-los melhor, a história acontecida nos primeiros anos da década de 80, traz como protagonista a jovem Madeleine Hanna, 22 anos, estudante de letras, apaixonada pela literatura inglesa do período vitoriano e prestes a ser formar. Ela faz parte de um mundo onde as mulheres lutam pela igualdade que vêm sido brandida desde os anos 60 com o movimento hippie, o advento do anticoncepcional e o ideal do amor livre.
O centro da história é a escolha dela em manter o relacionamento com o cientista e maníaco-depressivo Leonard Bankhead, presa à paixão e ao desejo surgidos na época em que se conheceram (quando ele ainda não apresentava as características da doença)  e a vontade de ajudar e  fazê-lo voltar a ser quem era antes. Além do foco nela, há também o paralelo com o amigo Mitchell Grammaticus que ao se formar embarca em uma viagem-clichê de autodescoberta passando pela Europa, Grécia e Índia, de onde finalmente regressa com mais dúvidas que respostas.
É possível identificar três conflitos que norteiam a trama: a escolha de Madeleine entre Leonard e Mitchell, a dificuldade em manter um relacionamento às minguas com Leonard e, a busca por superação e respostas de Mitchell. Embora o que a envolva seja principal, já que ela é a protagonista, eu vejo a busca de Mitchell como o conflito mais interessante.
O que envolve Madeleine é basicamente a dualidade entre o “mundo” que ela foi educada a ver e aceitar pela sua família tradicional, e o mundo real onde as pessoas têm problemas que vão além do que imaginamos e, até mesmo, do conseguimos aceitar. A doença mental de Leonard se torna um tabu na convivência entre ela e sua família, até o ponto insustentável em que eles, já casados, acabam morando com os pais dela para ele seja tratado.
Enquanto ela termina casada e dependente dos pais para cuidar do marido, Mitchell está viajando quando descobre que, primeiro, seu amigo que o está acompanhando é gay; segundo, não é tão fácil esquecer Madeleine Hanna e terceiro, não importa quantas vezes ele leia o livro “Something beautiful for God” de Madre Teresa de Calcutá, ajudar os outros exige muito mais que aparenta.
O livro “A Trama do Casamento” não é apenas um romance que fala sobre a dúvida de uma garota de com quem ficar, é essencialmente um romance sobre descoberta, sobre o que sabemos de nós e até que ponto podemos chegar negando o que já é evidente. É claro que o que envolve problemas mentais e psicológicos é mais complexo e, na maioria das vezes, mais interessante, mas a forma como o amigo de Madeleine se descobre é, para mim, o mais profundo. Ele prova que não basta ter um discurso bem montado e cercado de argumentos solidificados por extensas leituras de autores famosos e conceituados. É preciso que haja um casamento entre o discurso e as ações, para que as palavras não se tornem vazias. Mas o mais importante ainda é nos conhecermos, sabermos até que ponto somos capazes e quem somos realmente, e isso é algo muito íntimo e às vezes até invasivo, já que no simples ato de nos conhecermos, acabamos adentrando zonas inexploradas que acabam gerando sentimentos de medo, angústia e até raiva.
Como já coloquei no início, esse livro é simplesmente fantástico, com toda a construção de personagens e da trama que tinha tudo para ser uma história qualquer e acabou surpreendendo do início até o fim. Posso dizer que o autor Jeffrey Eugenides acabou de ganhar uma fã (mal espero para ler “Virgens Suicidas”, outro livro de sua autoria).
Até o próximo post!

2 comentários:

  1. Terminei há duas semana esse novo livro do Jeffrey e gostei do fato do escritor usar as relações entre as três personagens para ir além, falando não só sobre o amor, mas sobre solidão, sobre crescer, tornar-se adulto, sobre até mesmo a própria literatura. É realmente um livro muito bom!!
    Abraços

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    Respostas
    1. Olá Luiza,
      Concordo plenamente com você!
      Como eu não conhecia o autor, quando eu comprei o livro e li o resumo bem por cima, achei que era um romance bem levinho. Mas me surpreendi completamente com a história e com a profundidade que ele coloca nos personagens.
      Sem dúvida é um livro incrível!
      Caso você se interesse, toda semana vou postar resenhas novas de livros bem variados.

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