14 abril 2013

Os Homens que não amavam as Mulheres – Stieg Larsson





Boa noite pessoal!

Para o post de hoje eu trouxe o livro “Os Homens que não amavam as Mulheres”, primeiro da trilogia Millenium escrita pelo sueco Stieg Larsson.

Essa história vai introduzir os personagens principais para os outros dois livros da série através de um mistério a ser resolvido, o desaparecimento da jovem Harriet Vanger, há quase quarenta anos.

Com dinheiro suficiente mas nenhuma resposta, o tio da vítima e grande empresário Henrik Vanger, vai buscar alguém que ele julga ser capaz de descobrir a verdade. O jornalista Mikael Blomkvist, processado e à beira da prisão por conta de uma reportagem em que denunciava o também empresário Hans-Erik Wennerstrom por desvio de dinheiro destinado aos fundos sociais, é a pessoa perfeita para solucionar o caso. Além de grande investigador, resultado das várias matérias-denúncia que já publicou, Blomkvist precisa do que Henrik tem a oferecer: provas que podem comprovar sua inocência.

Morando em um chalé emprestado pelo velho Vanger sob a desculpa de ser seu biógrafo, o Super-Blomkvist, como é apelidado pela mídia, trabalha incessantemente sobre caixas de documentos e fotos, resultados de investigações antigas e malsucedidas, além de ter carta-branca para entrevistar toda a família Vanger em busca de evidências desprezadas ou nunca encontradas.

É nesse ponto que Mikael recebe ajuda da hacker Lisbeth Salander, uma mulher marcada por um passado bastante sofrido. Muito esperta e desconfiada, Lisbeth é quem vai identificar as pontas soltas nesse mistério e uni-las, encontrando quase todas as respostas para o desaparecimento de Harriet.

Ao longo da história novos pontos são descobertos e novos personagens são delineados, como a prima Anita, e o pai de Harriet, Gottfried Vanger, um homem bastante violento e que acabou influenciando nos modos do filho Martin, presidente do grupo Vanger, solteiro e bastante reservado. Além disso, o livro é repleto de histórias paralelas que parecem independentes, ainda que todas elas sejam fortes contribuições ao enredo, formando o panorama geral da narrativa.

Desde os assassinatos brutais de mulheres e o desaparecimento de jovens estrangeiras, até o processo e iminente falência da revista Millenium, produto da sociedade entre Blomkvist e Erika Berger e a luta entre Lisbeth e seu tutor legal Nils Bjurman, todos os pontos têm uma contribuição e acabam influenciando no resultado final.

Embora esse livro não deixe nenhum ponto a ser explorado no próximo livro, “A menina que brincava com fogo”, os três livros juntos formam uma única história que será compreendida somente no terceiro livro, quando todas as peças do quebra-cabeças se unem revelando o “grand-finale”.

Escrita de maneira primorosa, “Os Homens que não Amavam as Mulheres” é leitura obrigatória para quem gosta do gênero policial. Dentro do possível, já que há ainda mais dois livros que complementam a trilogia, o autor não deixa nenhuma ponta solta, além de trazer uma história riquíssima em detalhes e intrigante do início ao fim.

E para quem já leu ou prefere assistir ao filme, existem duas adaptações para o cinema desse livro: a versão americana, com Daniel Craig e Roney Mara, e a versão sueca. Como já assisti as duas versões, recomendo o filme sueco por conta da fidelidade ao livro ser muito maior, inclusive, eles trazem uma Lisbeth Salander muito mais ácida e agressiva, duas de suas características principais, em comparação ao filme americano.

Até o próximo post!

30 março 2013

Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver





Boa noite pessoal!

Para o post de hoje eu optei por falar de um livro que me chocou e há muito tempo aparece na minha lista de livros para resenhar.

“Precisamos falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver é um livro extremamente denso, cuja leitura é tão pesada que você chega a se sentir sufocado pela narração dos fatos. Admito que não é fácil termina-lo, já que eu mesma demorei três meses para lê-lo.

O foco na narrativa é a história do Kevin, um menino psicopata que trama e executa a morte de dois familiares e alguns colegas da escola em que estuda. Filho de Eva e Franklin, ele sempre comportou-se de maneira a agradar ao pai e provocar a mãe ao extremo.

Desde muito pequeno ele ardilosamente provocava a mãe com atitudes relativamente pequenas como chorar incessantemente ou continuar fazendo suas necessidades na roupa, apesar de já saber usar o banheiro. O grande ponto entre o relacionamento dele com os pais é como ele sabia exatamente o que fazer para implantar a discórdia dentro da própria família.

É importante colocar que embora Eva não quisesse ser mãe na época que engravidou de Kevin e acabou tendo uma boa resistência quando do nascimento dele, com o tempo ela acaba cedendo e tratando-o da melhor forma possível, embora ainda seja possível detectar o distanciamento dela enquanto mãe.

Já com Franklin, o pai, predomina o exato oposto, já que como em um teatro, Kevin parece interpretar o papel de “filho perfeito”, amoroso, companheiro, educado e agradável o tempo todo. É claro que diante desse comportamento, o pai vai preferir interceder a favor do filho, uma vez que as “evidências” acabam, muitas vezes, apontando a favor dele.

Conforme Kevin cresce, suas características se acentuam, e tal qual um psicopata, fica evidente em muitas situações a incapacidade dele de sentir ou se colocar no lugar do outro. Embora não seja um indivíduo sociável, ele consegue manter uma certa relação, que não chega a ser de amizade, com Lenny, já que para Kevin é conveniente ter alguém para fazer o que ele precisa e participar de suas ações; enquanto que para Lenny ele exerce uma grande influência e “fascínio”, talvez pela segurança como age ou pela simples transgressão de seus atos.

É claro que as coisas pioram quando nasce sua irmã Celia, e toda a atenção se direciona a ela. Embora seja de se pensar que a mãe também não vai aceitar bem essa outra gravidez, fica claro o quanto ela queria e se sentia preparada para esse novo bebê, colocando Celia no posto de filha preferida.

Ao contrário de Kevin, a pequena Celia é a delicadeza e sensibilidade em pessoa, e vive pairando em torno do irmão desejando atenção e carinho. É claro que em retorno ela recebe alguns xingamentos, piadinhas e outras “brincadeiras” que poderiam passar de inocentes, caso não viessem acompanhadas de algumas “ocorrências” como a morte do hamster de estimação dela ou do “acidente” com o produto químico que a cegou de um olho.

Você pode pensar que isso já é suficiente para uma pessoa só, mas o ponto principal é o que está por vir. Embora ele tenha dado pistas da pessoa que é, até seu aniversário de dezesseis anos, só a mãe enxergava-o de fato.

Desde pequeno, quando ganhou o primeiro arco e flecha de brinquedo, Kevin vinha se aperfeiçoando na “arte” que mais tarde se tornou sua arma. Aos dezesseis anos ele matou o pai e a irmã no quintal de casa, além de mais nove alunos e uma professora no ginásio de esportes meticulosamente trancado da escola. Inspirado pelo massacre de Columbine, Kevin Khatchadourian matou todos com flechas disparadas por sua balestra, foi preso e levou Eva a perder tudo o que tinha depois da própria família, marginalizada pela sociedade por ser a mãe de um monstro.

O primeiro impulso é culpar a mãe, mas aí fica uma questão: será que o filho se tornou um psicopata pela forma como a mãe o tratava, ou será que ela não conseguiu se aproximar por conta das atitudes que ele apresentava desde muito pequeno?

Embora seja muito chocante, a apresentação da história pela autora é primorosa. Escrita de uma maneira que somente nos leva a descobrir o que realmente aconteceu no fim, ela vem desde o começo formando as bases da personalidade não só do Kevin como também dos pais dele que, de certa forma, contribuiram muito para o desfecho da história.

Se eu for comparar o livro com o filme eu digo que ambos passam a mesma coisa, a única diferença é que cortaram algumas coisas do filme que contribuiriam não para formar uma ideia do personagem Kevin, mas apenas para certificar de que ele é exatamente o que já tinha mostrado ser. É claro que, ao contrário do livro, o filme é cheio de flashbacks, que não prejudicam a narrativa, apenas diferencia a apresentação da história.

É claro que eu recomendo a leitura do livro, já que apesar do tema polêmico e inquietante, é bom para nos tirar do lugar-comum e mostrar realidades que até pouco tempo não eram muito bem as nossas (já que há algum tempo houve o Massacre do Realengo, onde um homem entrou armado na escola e matou onze crianças, além de ferir mais treze).

Além disso eu recomendo também assistir ao filme, se não for pela história, que seja pelo menos pelo show de interpretação de Tilda Swinton como Eva e do jovem Ezra Muller como Kevin.

Até o próximo post!

29 março 2013

Editora recebe contos fantásticos para publicação em coletânea literária (Participe!)

Até 30 de abril, a Andross Editora estará recebendo contos fantásticos de novos escritores para publicação no livro 
“Sonhos Lúcidos”.

Não é de hoje que o ser humano busca fugir de sua realidade pacata para mundos existentes somente em sua imaginação. Pois agora novos escritores poderão contar histórias fantásticas, vividas dentro de suas mentes. A Andross Editora está recebendo contos de escritores em início de carreira para publicação no livro “Sonhos Lúcidos", a ser lançado em outubro de 2013, no evento Livros em Pauta, em São Paulo. 


Nossa intenção é publicar os mais diversos tipos de histórias fantásticas”, diz o escritor Alex Mir, organizador do livro. 


Qualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br, ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. As inscrições vão até 30 de abril de 2013. 


SINOPSE: "De onde tiram as ideias para suas obras os escritores de fantasia, horror e ficção científica? Têm eles mentes criativas ou simplesmente sonham acordados? Nas páginas deste livro, o inimaginável ganha formas insólitas, capazes de maravilhar até mesmo o leitor mais incrédulo.” 

SERVIÇO:
Livro: “Sonhos Lúcidos – Contos Fantásticos”
Organização: Alex Mir
Envio do texto: até 30/04/2013
Lançamento: 10/2013 (no evento Livros em Pauta)
Regulamento: no site www.andross.com.br
Realização: Andross Editora



10 março 2013

Post Especial - Dia da Mulher

Boa noite pessoal!

Para o post de hoje resolvi fazer algo em comemoração ao Dia da Mulher, que foi sexta-feira (dia 8, para quem não se lembra), e montei uma lista com as quatro personagens mais feministas que eu conheço.

Mas antes de coloca-las eu quero esclarecer os critérios que me fizeram escolhe-las: independência de ação e/ou pensamento, firmeza, coragem, inteligência e opinião. Assim sendo, é baseado nesses elementos que escolhi:









Hermione Jean Granger (série Harry Potter): inteligente, com certeza, mas também corajosa, leal e íntegra. Com certeza se não fosse por ela, Harry Potter não teria conseguido reunir as Relíquias da Morte! Na verdade eu acredito que ela sintetiza muito bem várias figuras femininas da saga, mostrando às leitoras que ser menina/mulher é muito mais que simplesmente ser “boazinha”, estudiosa e amiga.




Lisbeth Salander (trilogia Millenium): extremamente sagaz, rápida, corajosa, independente e de forte opinião. Talvez um dos motivos que mais tenha contribuído para escolhê-la seja a atitude “não ligo para sua opinião”. Os preconceitos estão por todo lugar, se você é magra demais, gorda demais, alta demais, se usa piercing, se tem tatuagem, se pinta o cabelo de azul, se não segue a moda, enfim, o importante é saber qual o seu lugar nisso tudo e se isso realmente tem alguma importância porque, caso contrário, isso realmente não faz a menor diferença. É claro que também escolhi a Lisbeth pelo conhecimento em informática e por como ela consegue provar a culpa dos outros e a própria inocência usando apenas um computador...




Elizabeth Bennet (livro Orgulho e Preconceito): inteligente, firme e de muita opinião. Eu não poderia deixar Miss Lizy Bennet de fora, até porque, embora viva no século 19, não se deixou iludir por uma promessa de casamento em troca apenas de dinheiro e conforto, evitando assim casar-se com o palerma vazio e ignorante que era seu primo Mr. Collins.




Coco Chanel: inteligente ao extremo, esperta, firme, independente, corajosa e de muita opinião, é um modelo de mulher que via sempre à frente. Criadora de tendências e grande incentivadora pela liberdade da mulher em se vestir de forma natural e sem excessos, criou mais um jeito de vestir, criou uma maneira de ser e agir, um modelo de mulher moderna e extremamente independente.


É bem claro que não há como numerar o grau de importância delas, mas para mim é bem nítido que cada uma delas é, na verdade, representante de um modelo distinto dentro da classe feminina, embora todas elas preguem simultaneamente a liberdade para pensar o que quiserem, a independência para ser quem quiserem, e a coragem para agirem como quiserem.

Então, fica para todas vocês meu Feliz Dia das Mulheres!

Até o próximo post!